O Silêncio dos Bons

É verdade que muita coisa mudou desde então, mas também há muita coisa que não mudou. Na verdade há muita coisa que até piorou, e mais problemas foram surgindo e vão surgindo a cada dia que passa. E infelizmente, isso é algo que como seres humanos teremos que aprender a conviver com ela.

A realidade da imperfeição humana é um facto que temos que aceitá-la como tal, mas não necessariamente tolerá-la como tal. A imperfeição humana cria todo o tipo de problemas, dilemas, e desafios que são peculiares ao Hommo Sapiens.

É estranho que como humanidade alcançamos grandes feitos e avanços extraordinários em várias áreas, durante todos esses anos em que habitamos o planeta terra. Só que o que me espanta é que a proporção dos avanços principalmente na arena tecnológica não tem sido acompanhados de avanços nas relações humanas.

O que temos vivenciado é um grande distanciamento entre os seres humanos, apesar de muitos fazerem o uso das redes sociais para se comunicarem, a distância entre nós é cada vez mais crescente. E isso tem se acentuado e é tão visível quando se trata de questões relacionadas com o choro de muitos.

Parece que muitos de nós está satisfeito com o nosso conforto e não se preocupa com o grito e o choro da maioria. O facto é que até hoje apenas uma minoria é que se beneficia do bom que esta terra tem para dar, apenas uma camada elitista é que tem usufrui do bem que devia ser distribuído para todos.

Mas o que me abala e me preocupa não é o facto de apenas um pequeno grupo se beneficiar de tanto. O que me preocupa é o facto daqueles que vêem a injustiça perpetuada pela minoria sobre a maioria sem fazer nada. O que me preocupa é o silêncio assustador daqueles que se consideram como sendo bons.

Isso leva-me a colocar a questão sobre como é que podemos nos considerar bons ou justos enquanto não fizermos nada para os injustiçados? Como é que temos a ousadia de nos auto-intitularmos como pessoas justos enquanto ignoramos o silêncio dos injustiçados como que se eles não fizessem parte de nós. Ou se calhar não fazem.

O facto é que sempre pensei que a humanidade como um todo é uma grande família, de facto, uma família muito bem diversificada e peculiar. Na verdade o que nos faz peculiar é o facto de sermos diferentes um do outro, mas mesmo assim não deixamos de ser parte desta grande família.

E se realmente é verdade que somos uma grande família porque é que nos tratamos como estranhos? Porque é que somos tão insensíveis ao grito e o clamor do nosso irmão que está sendo injustiçado por uma pequena minoria?

Não Se Deixe Enganar

É importante que nunca nos deixemos enganar pensando que ao ignorarmos o clamor dos injustiçados, marginalizados, e desprezados da sociedade, nós viveremos em paz. O pior inimigo da riqueza é a pobreza, o pior inimigo do rico é o pobre, o pior inimigo da paz e tranquilidade é o silêncio dos justos e dos bons.

Enquanto permanecermos calados e não agirmos perante o clamor dos injustiçados, enquanto não enchugarmos as lágrimas dos que choram, enquanto não alimentarmos o faminto, nós jamais teremos paz. A humanidade jamais terá tranquilidade enquanto formos insensíveis ao clamor, e ao choro dos injustiçados.

Ouso dizer que o mal jamais triunfará sobre o bem, as trevas jamais apagarão a luz, o silêncio jamais irá triunfar enquanto o clamor da injustiça social não for respondido.

É Nossa Responsabilidade

É da responsabilidade de todos nós cuidarmos um do outro, mesmo que não nos conheçamos ou sejamos diferentes. As nossas diferenças não justificam o nosso silêncio para com os que clamam e não têm quem os possa ajudar.

Cabe a si e a mim, fazer uso dos recursos e do privilégio que temos para ajudar os que não são capazes de se ajudar a si mesmos. Cabe a nós sermos a voz para os que não têm voz, e que são incapazes de fazer algo para se livrarem dos desafios que estão enfrentando.

O meu desafio para si é que você não fique em silêncio, mas que grite bem alto, use dos seus recursos, faça uso do que tem para ajudar o que precisam da sua ajuda. É possível tornarmos o nosso mundo num lugar em que todos possamos viver em harmonia. Mas para que tal aconteça, temos que sair do silêncio.

Pare de ficar calado, e não pense que por ficar calado será imune aos males da sociedade. Muito pelo contrário, se você não for vítima do mal, os seus filhos o serão. É uma falácia pensar que não será atingido pelo mal que assola os outros só porque ficou calado.

A Falácia do Silêncio

Muitos preferem ficar em silêncio por acreditarem que se assim o fizerem estarão em paz e não serão assolados pelos males da sociedade. Permita-me dizer que isso é uma falácia, e não só, o silêncio é um acto de cobardia perpetuado por pessoas que vivem por detrás de castelos de vidro.

A ideia de que é melhor ficar calado e não fazer nada é por si só um acto de injustiça social. Porque se não fizermos nada por aqueles que precisam de nós, estamos a ser injustos para com eles. Não existe justiça em ficar calado, é melhor falar por aqueles que não podem falar ou não têm a plataforma que temos.

No final o silêncio dos bons acabará por criar as condições ideais para que o grito dos maus continue a triunfar. Permitirá que o mal se perpetue, e possivelmente irá bater à sua porta. O silêncio por si só é um mal, por isso, não se deixe enganar.

Até mais!

Edgar Chaúque.

About Edgar Chauque

Edgar Chauque is a God fearing serial blogger, entrepreneur, coach, and trainer, who likes creating things and birth new initiatives to better people’s lives. He is passionate about empowering people and bringing out the best in them. When he is not writing,he is reading, when he is not reading, is thinking, and when he is not thinking, he is teaching.